A formação inicial de magistrados vai muito além do domínio da lei. Em Mato Grosso, os novos juízes substitutos participam de uma semana de capacitação multidisciplinar que integra gestão judiciária, sistemas tecnológicos e prática administrativa. O objetivo é prepará-los para enfrentar os desafios cotidianos das comarcas e fortalecer a eficiência do Judiciário, unindo teoria e prática de maneira estratégica.
Entre os dias 2 e 6 de fevereiro, o Curso Oficial de Formação Inicial (COFI) recebeu 35 magistrados para uma programação que combinou supervisão prática com conteúdos teóricos aprofundados. A formação começou com aulas voltadas à Administração da Atividade Judiciária, conduzidas pelo juiz Wanderlei José dos Reis, que possui mais de 22 anos de experiência e ministra disciplinas na Esmagis-MT desde 2007. O foco dessas sessões foi demonstrar que a carreira de juiz exige competências administrativas, como gestão de pessoas, organização de recursos e planejamento operacional, além das decisões jurisdicionais.
A capacitação evidenciou que a compreensão da realidade de cada comarca é essencial. Os magistrados estudaram o fluxo de processos, a estrutura administrativa e os desafios específicos de suas regiões, recebendo orientações práticas para aprimorar a gestão local. Essa abordagem busca não apenas a padronização de procedimentos, mas também a excelência institucional, refletida em reconhecimentos como o Selo Diamante conquistado pelo TJMT em 2025. Os debates dinâmicos integraram teoria e prática, estimulando os novos juízes a aplicarem técnicas de administração em situações concretas, preparando-os para responsabilidades que muitas vezes começam mesmo antes do exercício pleno da função jurisdicional.
Na quinta-feira, o foco da formação se deslocou para os sistemas tecnológicos que estruturam o Judiciário. O juiz auxiliar da Corregedoria, João Filho de Almeida Portela, apresentou o BNMP 3.0, reforçando a importância do correto cadastramento de medidas penais e prisões para a eficiência da jurisdição criminal. Os magistrados também tiveram contato com o PJeCor, sistema nacional unificado para procedimentos administrativos e disciplinares, acompanhado de manuais e protocolos elaborados pelo TJMT. A introdução a plataformas como o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) e ferramentas estratégicas como os Painéis OMNI e OmnIA proporcionou uma compreensão ampla do uso de dados para otimizar a produtividade, planejar prioridades e acelerar decisões. Além disso, sistemas de apoio do CNJ, incluindo SISBAJUD, Robô Mako e INFOJUD, foram apresentados para ampliar o domínio tecnológico essencial à atuação moderna da magistratura.
A última etapa da semana abordou Tecnologia da Informação e das Comunicações, com participação dos desembargadores Lídio Modesto da Silva Filho, Luiz Octávio Oliveira Saboia Ribeiro e do juiz Vinicius Paiva Galhardo. Essa etapa reforçou que a integração da tecnologia ao dia a dia do Judiciário não é apenas uma tendência, mas uma necessidade estratégica. Ferramentas digitais, dados estruturados e automação de processos são instrumentos que garantem eficiência, transparência e agilidade, impactando diretamente a experiência do cidadão com a Justiça.
O COFI 2026 demonstra que a formação de magistrados modernos requer equilíbrio entre conhecimento jurídico, gestão eficiente e domínio tecnológico. Capacitar juízes para compreender a complexidade administrativa das comarcas e para utilizar sistemas digitais de forma estratégica contribui para decisões mais rápidas e bem fundamentadas, além de otimizar o funcionamento institucional. Esse modelo de capacitação evidencia um olhar inovador sobre a magistratura, capaz de alinhar tradição e inovação, prática e teoria, preparando profissionais aptos a enfrentar os desafios de um Judiciário contemporâneo.
Ao investir em capacitação multidisciplinar, o TJMT reforça o papel da magistratura como protagonista da eficiência institucional e garante que novos juízes estejam aptos a transformar conhecimento em resultados concretos, promovendo Justiça mais ágil, organizada e tecnologicamente integrada.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez