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Eleições em Mato Grosso: Pivetta passa à frente de Wellington e disputa pelo Governo ganha novo cenário
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Política

Eleições em Mato Grosso: Pivetta passa à frente de Wellington e disputa pelo Governo ganha novo cenário

Marina Delvera
Marina Delvera Publicado agosto 25, 2026
9 Min de leitura
Eleições em Mato Grosso: Pivetta passa à frente de Wellington e disputa pelo Governo ganha novo cenário

Pesquisa divulgada nesta semana mostra mudança na corrida eleitoral e aumenta a pressão sobre as campanhas a pouco mais de um mês da votação.

A corrida pelo Governo de Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta semana e já começa a produzir efeitos sobre as estratégias dos principais candidatos. Pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada em 24 de agosto mostra o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) com 39% das intenções de voto, enquanto o senador Wellington Fagundes (PL) aparece com 35%. A diferença de quatro pontos está dentro da margem de erro de 2,6 pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico. O levantamento ouviu 1.504 eleitores em 56 municípios mato-grossenses entre os dias 21 e 23 de agosto. (Exame)

O resultado chama atenção porque representa uma mudança em relação a levantamentos anteriores e ocorre em uma fase decisiva das eleições de 2026. Ao mesmo tempo, a Justiça Eleitoral confirmou a regularidade da coligação de Pivetta e Gisela Simona, enquanto decisões recentes impuseram limites à propaganda negativa entre os principais adversários. Para o eleitor de Cuiabá, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e demais municípios, a pergunta passa a ser outra: o que essa mudança na disputa pode significar para as propostas, alianças e prioridades que serão apresentadas durante a campanha?

Pesquisa muda o equilíbrio da disputa pelo Governo de Mato Grosso

O levantamento do Paraná Pesquisas coloca Pivetta numericamente à frente pela primeira vez em relação a Wellington Fagundes dentro desse cenário comparativo. O governador aparece com 39%, seguido pelo senador, com 35%, enquanto Natasha Slhessarenko (PSD) registra 8,7%. Também aparecem na pesquisa Sargento Laudicério, com 2,2%, Maurício Coelho, com 0,4%, e Rafael Millas, com 0,3%. Como a margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, a diferença entre os dois primeiros colocados não permite afirmar que exista uma vantagem estatisticamente consolidada. (Exame)

Ainda assim, o movimento tem peso político porque mostra uma alteração significativa em relação ao cenário de dezembro de 2025. Naquele levantamento do próprio Instituto Paraná, Wellington aparecia com 43,1%, enquanto Pivetta tinha 28,1% em cenário sem Jayme Campos, uma diferença de 15 pontos. Agora, os números mostram uma aproximação que transformou a disputa em um cenário mais competitivo. Para as campanhas, isso significa que votos ainda podem ser conquistados entre eleitores indecisos e que a capacidade de apresentar propostas específicas para cada região do estado tende a ganhar importância nas próximas semanas. (Agro MT)

Outro dado que ajuda a entender o cenário é a avaliação da atual gestão. Segundo o levantamento divulgado pela Exame, a administração de Pivetta registra 69,5% de aprovação entre os entrevistados. Esse indicador não pode ser convertido automaticamente em intenção de voto, mas ajuda a explicar por que a campanha de reeleição tenta associar o nome do governador à continuidade das políticas públicas e aos resultados apresentados pelo Estado. Ao mesmo tempo, o adversário precisa transformar sua presença eleitoral em uma alternativa concreta de governo, especialmente em temas que afetam diretamente o cotidiano, como saúde, segurança, infraestrutura, educação, emprego e condições para o agronegócio. (Exame)

O que a disputa eleitoral representa para o produtor e para os municípios

A eleição estadual de 2026 terá impacto direto sobre decisões que ultrapassam a política partidária. Mato Grosso depende fortemente do agronegócio, mas também enfrenta desafios relacionados à infraestrutura rodoviária, logística, saúde regionalizada, segurança pública e expansão urbana. Por isso, o eleitor do interior tende a observar não apenas quem lidera pesquisas, mas quais compromissos os candidatos assumirão para diferentes regiões. Em cidades produtoras, por exemplo, temas como manutenção de rodovias, escoamento da safra, energia, armazenagem e conectividade rural podem pesar tanto quanto as discussões políticas de Cuiabá.

A força das alianças municipais também aparece como um elemento importante da disputa. Reportagem publicada pelo Diário de Cuiabá apontou que uma carta entregue a Pivetta reuniu apoio de 133 dos 142 prefeitos de Mato Grosso, mostrando uma adesão municipal expressiva ao governador. Ao mesmo tempo, Wellington mantém uma coligação formal com partidos como PL, MDB, PRD e Solidariedade e tenta ampliar sua presença regional por meio de agendas e estruturas de campanha. O contraste entre alianças partidárias e apoios locais pode ser decisivo, principalmente porque prefeitos, vereadores, lideranças empresariais e representantes do setor produtivo possuem influência na mobilização de eleitores em municípios menores. (Diario de Cuiabá)

Outro movimento relevante ocorreu no fim de semana, quando Wellington inaugurou cinco espaços denominados Casas Acelera Mato Grosso em Cuiabá, Sinop, Rondonópolis, Primavera do Leste e Barra do Garças. O lançamento simultâneo, transmitido pela internet, foi apresentado pela campanha como uma forma de descentralizar a estrutura e aproximar a candidatura das diferentes regiões do estado. A escolha das cidades também evidencia uma estratégia de presença territorial, já que reúne a capital, importantes polos econômicos e municípios estratégicos do interior. (MT Regional)

Para o eleitor, o ponto central é observar se essa disputa regional será acompanhada de propostas objetivas. Uma campanha estadual precisa responder como pretende melhorar hospitais e serviços públicos, ampliar a segurança, acelerar obras, reduzir gargalos logísticos e criar condições para novos investimentos. No campo, a política estadual pode interferir em questões ambientais, infraestrutura, assistência técnica, estradas e integração entre municípios produtores. Portanto, a corrida eleitoral não deve ser acompanhada apenas pelos percentuais das pesquisas, mas também pelo conteúdo das propostas e pela capacidade de execução prometida por cada grupo.

Justiça Eleitoral aumenta atenção sobre propaganda e estratégia das campanhas

A disputa também ganhou um componente jurídico nos últimos dias. Em 24 de agosto, a Justiça Eleitoral determinou que a campanha de Wellington Fagundes interrompesse o impulsionamento de vídeos com ataques contra Pivetta. Segundo a decisão divulgada pela imprensa, os conteúdos faziam acusações graves contra o governador, e a magistrada considerou que não havia respaldo suficiente para algumas das afirmações. A determinação estabeleceu prazo para interrupção do impulsionamento e reforçou a importância de diferenciar crítica política legítima de conteúdo que possa ultrapassar os limites previstos pela legislação eleitoral. (Estadão MT)

No outro lado da disputa, Pivetta também já foi alvo de decisão relacionada à propaganda eleitoral. Em decisão anterior, a Justiça Eleitoral aplicou multa de R$ 8 mil ao governador por um vídeo publicado durante a pré-campanha, entendendo que a peça apresentava características de pedido antecipado de votos. O episódio mostra que as campanhas precisam administrar não apenas a mensagem política, mas também a forma, o período e os meios utilizados para divulgá-la. Em uma eleição marcada pelo uso intenso das redes sociais, essa preocupação se torna ainda maior. (Fatos de Mato Grosso)

A própria Justiça Eleitoral confirmou nesta semana a regularidade da coligação “Mato Grosso Não Pode Parar”, formada por Pivetta e Gisela Simona. A decisão do relator Pérsio Oliveira Landim considerou regular a documentação apresentada pela aliança e autorizou a participação da chapa no pleito. O processo também havia recebido parecer favorável do Ministério Público Eleitoral, segundo informações divulgadas sobre a decisão. (Mídia Jur Cuiabá MT)

Com a campanha avançando, a tendência é que a disputa fique mais concentrada em propostas, comparação de governos e capacidade de mobilização nos municípios. Para o mato-grossense, acompanhar esse processo significa entender quem pretende comandar um estado fundamental para o agronegócio brasileiro, mas que também enfrenta demandas crescentes em saúde, educação, segurança e infraestrutura. A pesquisa mostra um cenário aberto, e os números ainda podem mudar até a votação. Mais importante do que tratar a liderança como resultado definitivo é observar como cada candidato pretende transformar apoio eleitoral em políticas públicas capazes de produzir efeitos concretos na vida da população.

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