Recentemente, diversas manifestações pró-Bolsonaro ganharam destaque nas ruas de Campo Grande e também no Rio de Janeiro, trazendo à tona uma divisão política ainda presente no país. Em Mato Grosso do Sul, a mobilização, embora reduzida, reuniu um número expressivo de apoiadores, sendo liderada por figuras políticas locais. No Rio, o ex-presidente Jair Bolsonaro marcou presença em um ato significativo, com o objetivo de mobilizar os apoiadores em torno de sua causa e da defesa de uma anistia para os condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023. O cenário das manifestações no Brasil continua sendo um reflexo das tensões políticas pós-eleitorais e das disputas por narrativas sobre o ocorrido no começo daquele ano.
Em Campo Grande, a manifestação foi uma das mais recentes expressões desse apoio a Bolsonaro. Com algumas dezenas de pessoas, o ato teve como símbolo o uso das camisetas amarelas da seleção brasileira, uma estratégia visual comum entre os simpatizantes do ex-presidente. O evento em Mato Grosso do Sul aconteceu de maneira modesta, mas conseguiu atrair a atenção para a necessidade de união entre os defensores da sua agenda política. A pauta principal da manifestação, que teve o vereador André Salineiro (PL) como líder, girou em torno da busca pela anistia dos envolvidos nos ataques ao STF e aos poderes no início de 2023.
No entanto, o movimento proposto em Campo Grande foi descrito como tendo pouca adesão popular. Mesmo com a presença do vereador e de outros apoiadores locais, o número de manifestantes não chegou a impressionar, refletindo talvez o esvaziamento de algumas pautas bolsonaristas, especialmente após os eventos de janeiro de 2023. Isso pode ser visto como um indicativo de que, apesar da persistência de alguns de seus seguidores, Bolsonaro não conseguiu reunir grandes multidões em Mato Grosso do Sul, algo que também pode ser observado em outras partes do Brasil.
Em contrapartida, o ato realizado no Rio de Janeiro foi liderado pelo próprio ex-presidente Bolsonaro, que em um discurso acalorado afirmou que não sairá do Brasil, independentemente das acusações ou das consequências políticas que possam surgir em decorrência de sua suposta participação no planejamento do golpe. Durante o evento em Copacabana, Bolsonaro deixou claro que qualquer tentativa de silenciá-lo, seja por prisão ou qualquer outra forma, seria uma tentativa vã, pois ele continuaria sua luta. A presença de Bolsonaro no Rio reacende a discussão sobre as manifestações pró-Bolsonaro e os apoios que ele ainda mantém, apesar de ser um dos principais alvos de investigações e processos judiciais no Brasil.
Bolsonaro, desde que deixou a presidência, tem adotado uma postura combativa, buscando atrair novamente os apoiadores que acreditam em sua retórica. A tentativa de reverter as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) no que se refere à condenação dos envolvidos no 8 de janeiro tem sido uma das bandeiras mais visíveis de seus atos. Para muitos, esses movimentos são uma forma de pressionar o governo atual e criar uma narrativa de resistência ao sistema político que tem sido associado à sua queda de poder.
Ao mesmo tempo, os políticos de Mato Grosso do Sul que se deslocaram para o Rio, como o vereador André Salineiro, representam o elo entre a mobilização local e as ações mais amplas de apoio a Bolsonaro. Esse tipo de alinhamento é visto como estratégico para esses parlamentares, que buscam manter sua base de apoio enquanto reforçam sua identidade política, ao associar-se com o ex-presidente e suas propostas. A conexão entre os manifestantes de MS e as lideranças políticas estaduais, portanto, demonstra o interesse por parte de figuras políticas em manter vivos os ideais do bolsonarismo.
Essas manifestações, tanto em Mato Grosso do Sul quanto no Rio de Janeiro, não apenas demonstram o apoio a Bolsonaro, mas também ilustram a continuidade da polarização política no Brasil. Apesar da diminuição no número de participantes, a persistência dos movimentos indica que o ex-presidente e seus seguidores ainda têm um peso relevante no cenário político nacional. A questão da anistia e da revisão das penas dos condenados pelo 8 de janeiro permanece sendo um tema central dessas ações, com o objetivo de reverter, ou pelo menos minimizar, as consequências legais desses episódios.
Por fim, é essencial observar que o movimento pró-Bolsonaro, embora tenha atraído uma quantidade menor de pessoas nas ruas de Mato Grosso do Sul, continua a ser um fator de influência no panorama político. A postura de resistência do ex-presidente e de seus apoiadores locais revela uma estratégia de se manter relevante no debate político, algo que ainda ressoa fortemente, não apenas entre os aliados, mas também no cenário político mais amplo, no qual as disputas ideológicas e jurídicas estão longe de ser resolvidas.
Autor: Gerald Johnson
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital