Bioma sofre com seca severa e baixa umidade enquanto o Brasil como um todo registrou queda de 58% na área atingida por incêndios em 2025
O Brasil viveu em 2025 um alívio importante depois de um dos piores anos de incêndios florestais já registrados. Segundo o Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pela rede de pesquisadores MapBiomas, a área queimada no país recuou 58% no período, somando 127 mil km² contra os 302 mil km² atingidos em 2024, quando a combinação de seca prolongada e queimadas irregulares provocou destruição em diferentes regiões. O dado, no entanto, esconde uma realidade bem mais preocupante em um bioma específico: o Pantanal.
O que os números do Pantanal mostram neste ano
Levantamento do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul, o Cemtec, mostra que a área queimada no Pantanal sul-mato-grossense cresceu 770,7% em 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre 1º de janeiro e 15 de julho, já são 58.878 hectares consumidos pelo fogo. Quatro incêndios seguem ativos na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, próximo a Corumbá, área historicamente uma das mais afetadas do bioma nos últimos anos.
O agravamento tem explicação climática. Ainda no início do ano, as chuvas na região das cabeceiras do Pantanal ficaram abaixo do esperado, o que já sinalizava um cenário de seca acentuada para 2026. O Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Paraguai, do Serviço Geológico do Brasil, mostrou que o nível da maioria dos rios afluentes da bacia estava abaixo da normalidade logo em fevereiro, com chuva acumulada 16% menor que a média histórica entre julho de 2025 e janeiro de 2026. Esse tipo de defasagem hídrica tende a se refletir diretamente na vegetação, que fica mais seca e mais suscetível a queimar ao longo do ano.
Monitoramento por satélite e risco nos próximos dias
Atualmente, a combinação de calor intenso, baixa umidade do ar e ventos fortes previstos para os próximos dias mantém elevado o risco de propagação das chamas na região. Os incêndios são acompanhados pelo Painel do Fogo, plataforma do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, o Censipam, que utiliza imagens de satélite para monitorar a evolução das ocorrências em tempo quase real. Esse tipo de ferramenta tem se tornado cada vez mais central na resposta a incêndios florestais no Brasil, permitindo que as equipes de combate ao fogo priorizem os focos mais críticos.
O Pantanal já vem de anos difíceis. Estudos apontam que o bioma perdeu cerca de 80% de sua água superficial nos últimos 40 anos, um processo ligado tanto a mudanças climáticas quanto à intensificação do uso agropecuário na região. Em anos anteriores, picos de cheia mais fracos que o esperado já haviam se mostrado um indicador confiável de temporada de incêndios mais severa, o que reforça a preocupação dos pesquisadores com o que ainda está por vir neste segundo semestre.
O que a queda nacional de queimadas ensina sobre prevenção
Apesar do cenário difícil no Pantanal, o resultado nacional de 2025 mostra que é possível reverter tendências de aumento de queimadas quando há articulação entre monitoramento, fiscalização e resposta rápida. A queda de 58% na área queimada em todo o país, divulgada pelo MapBiomas, é o maior recuo já registrado desde que a série histórica do relatório começou a ser compilada, o que sugere que medidas de prevenção e combate ao fogo adotadas ao longo do ano surtiram efeito, mesmo em um contexto climático desafiador.
Para quem vive na região ou depende do turismo e da atividade pecuária no Pantanal, o acompanhamento das condições climáticas e dos alertas de incêndio nos próximos meses deve continuar sendo prioridade, já que a estação seca no bioma costuma se estender até setembro.
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