Levantamento do Corpo de Bombeiros mostra que apenas 5,8 mil hectares do bioma foram atingidos pelo fogo, resultado atribuído à antecipação do período proibitivo e a investimentos de R$ 78 milhões.
Depois de anos marcados por temporadas críticas de incêndio, Mato Grosso registrou um dos resultados mais positivos já contabilizados no combate ao fogo em seus biomas. Entre janeiro e agosto, aproximadamente 859,5 mil hectares foram atingidos pelo fogo no Estado, uma redução de 71% na comparação com anos anteriores, sendo que menos de 1% dessa área corresponde ao Pantanal mato-grossense. O dado chama atenção porque o Pantanal costuma figurar entre os biomas mais vulneráveis ao fogo no país. A pergunta que fica para quem acompanha a preservação da região é: o que mudou para que o bioma apresentasse esse resultado, e essa melhora deve se manter nos próximos meses? BOMBEIROS
O que explica a redução histórica de queimadas no Pantanal mato-grossense
O número que resume o avanço é direto: no bioma Pantanal, onde historicamente o fogo se propaga com facilidade devido às características da vegetação e aos períodos de estiagem, as áreas queimadas neste ano representaram menos de 1% do registrado em anos anteriores, com 5.800 hectares atingidos. Para efeito de comparação, biomas com características semelhantes em outros estados da região Centro-Oeste registraram, em temporadas recentes, milhões de hectares queimados no mesmo período. A diferença, segundo técnicos ambientais, está diretamente relacionada ao conjunto de medidas de prevenção adotadas antes do início da temporada crítica. BOMBEIROS
Segundo Vinicius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV (Instituto Centro de Vida), as condições naturais contribuíram para manter o solo e a vegetação mais úmidos, mas o aumento da fiscalização e o reforço das políticas de combate ao desmatamento também surtiram efeito nas queimadas, que costumam ser usadas após o corte da vegetação nativa. Essa combinação entre fator climático favorável e ação de fiscalização é o que técnicos apontam como explicação central para o resultado, e reforça que a preservação do bioma depende tanto de condições naturais quanto de políticas públicas consistentes ao longo do tempo. BOMBEIROS
As medidas que o governo de Mato Grosso adotou antes da temporada crítica
Uma das decisões mais relevantes foi antecipar o calendário de restrições ao uso do fogo especificamente no Pantanal. A antecipação do início do período proibitivo para o uso e manejo do fogo no bioma passou a valer a partir de 1º de junho, enquanto na Amazônia e no Cerrado a proibição teve início em 1º de julho, uma diferença de calendário pensada para respeitar as particularidades climáticas de cada região. A medida buscou reduzir a janela de risco justamente no período em que a vegetação pantaneira fica mais seca e vulnerável. BOMBEIROS
Outra iniciativa que ganhou destaque foi a criação de uma estrutura de monitoramento permanente na região. A instalação da Sala de Situação Descentralizada do Pantanal, em Poconé, foi criada para monitorar continuamente os focos de calor no bioma, permitindo agir rapidamente na contenção de focos ainda em estágio inicial e evitando que se transformem em incêndios florestais de grandes proporções. Esse tipo de resposta rápida costuma ser decisivo justamente porque, em áreas alagadas ou de difícil acesso, o combate direto ao fogo se torna mais complexo depois que o incêndio já está em estágio avançado. Todo esse conjunto de ações faz parte de um investimento de R$ 78 milhões que o governo de Mato Grosso destinou ao Corpo de Bombeiros Militar, com foco no fortalecimento da estrutura e da capacidade operacional da corporação. BOMBEIROSBOMBEIROS
Por que o alerta ainda não pode ser deixado de lado
Mesmo com o resultado positivo, técnicos ambientais fazem questão de reforçar que o cenário exige atenção contínua, especialmente porque parte significativa dos focos de incêndio no Estado não está sob jurisdição estadual direta. Segundo dados do Corpo de Bombeiros, uma parcela relevante dos eventos de fogo registrados durante o período proibitivo ocorre em áreas federais, territórios indígenas e assentamentos federais, regiões em que a fiscalização depende de articulação entre diferentes esferas de governo. Isso significa que, apesar da melhora expressiva no Pantanal, o desafio de manter o resultado positivo em 2027 depende da continuidade da cooperação entre órgãos estaduais e federais.
O comandante do Batalhão de Emergências Ambientais já sinalizou que as ações de fiscalização e monitoramento serão intensificadas em todos os biomas do Estado, incluindo áreas de jurisdição federal, para as quais já foi solicitado apoio adicional. A expectativa é que o modelo aplicado no Pantanal em 2026, com antecipação de calendário e monitoramento descentralizado, sirva de referência para outras regiões do Estado que ainda enfrentam índices mais altos de queimadas, como partes da Amazônia mato-grossense e do Cerrado.
O resultado alcançado no Pantanal mato-grossense em 2026 mostra que a combinação entre condições climáticas favoráveis e políticas de prevenção bem estruturadas pode reduzir de forma significativa o impacto do fogo em um dos biomas mais sensíveis do país. Ainda assim, o próprio governo estadual reconhece que o trabalho não termina aqui, já que fatores fora do controle direto do Estado, como áreas federais e territórios indígenas, continuam representando risco relevante. Acompanhar os próximos boletins do Corpo de Bombeiros será a forma mais confiável de saber se a tendência positiva se mantém.
Fontes consultadas: Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Midiamax