Instituto projeta produção de 48,88 milhões de toneladas no Estado e alerta para custos mais altos com fertilizantes e defensivos na próxima temporada.
Produtores de Mato Grosso já começam a se perguntar como o clima vai afetar a próxima safra de soja, e a resposta inicial vem de um dos institutos mais respeitados do setor. O Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) projetou, em boletim semanal, retração de 5,2% na safra de soja 2026/27 em relação ao ciclo anterior, com produção estimada em 48,88 milhões de toneladas. A queda tem relação direta com a formação do El Niño, fenômeno climático que historicamente altera o regime de chuvas no Centro-Oeste brasileiro. Para quem vive do campo em Mato Grosso, a dúvida que fica é: o que esperar da próxima temporada em termos de clima, custo de produção e estratégia de plantio? A resposta passa por decisões técnicas que já estão sendo tomadas nas propriedades rurais do Estado. BrasilnoticiaNotícias Agrícolas
Como o El Niño deve afetar a lavoura mato-grossense
O fenômeno climático que preocupa produtores rurais não é novidade no Centro-Oeste, mas sua intensidade em 2026 já é motivo de atenção redobrada. Segundo o Imea, o cenário ainda é incerto e dependerá da intensidade e duração do El Niño ao longo do ciclo produtivo, mas instituições internacionais como a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) já confirmam sinais de formação e intensificação do fenômeno. Tradicionalmente, o El Niño eleva o risco de veranicos e períodos de déficit hídrico justamente nas regiões produtoras do Centro-Oeste, o que pode comprometer tanto a fase de implantação da lavoura quanto seu desenvolvimento vegetativo e reprodutivo. BrasilnoticiaNotícias Agrícolas
O impacto, porém, não é uniforme entre as regiões do país. De acordo com o Imea, o fenômeno tende a aumentar as precipitações no Sul do Brasil, mas amplia a irregularidade das chuvas em áreas como Centro-Oeste, Norte e Matopiba, exatamente onde está concentrada boa parte da produção mato-grossense. O momento mais sensível da cultura, segundo especialistas, ocorre na transição entre floração e formação de vagens da soja, período em que qualquer estresse hídrico ou térmico pode comprometer a produtividade e provocar queda de estruturas reprodutivas. Como a soja em Mato Grosso está diretamente ligada ao cultivo da segunda safra de milho, o planejamento de manejo se torna ainda mais delicado, já que o produtor precisa equilibrar o ciclo da soja com a janela ideal para o milho safrinha. BrasilnoticiaNotícias Agrícolas
Custos de produção também sobem para a próxima temporada
Além do desafio climático, o produtor mato-grossense enfrenta outra variável decisiva para o planejamento financeiro da safra: o aumento nos custos de insumos. Levantamento do Imea mostra que o custeio do milho para a safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare, alta de 14,46% em relação à temporada anterior, impulsionada por maiores gastos com fertilizantes, defensivos e sementes de tecnologia mais avançada. Já para a soja, o cenário é de cautela, mas também de custo mais elevado. Conexaomt
O custeio da oleaginosa foi estimado em R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21% frente à safra 2025/26, segundo levantamento elaborado pelo Sistema Famato, Senar-MT e Imea, com destaque para o avanço de 10,97% nos gastos com defensivos agrícolas. Esse conjunto de fatores, aliado à incerteza climática e à restrição de crédito no campo, reforça a importância da comercialização antecipada e do travamento de preços em momentos favoráveis do mercado. Para o milho, por exemplo, o instituto estima que a saca precisaria ser comercializada a pelo menos R$ 45,96 para cobrir o custo operacional efetivo da atividade, considerando produtividade de referência de 120,28 sacas por hectare. Conexaomt
O que os produtores estão fazendo para reduzir o risco
Diante desse cenário, especialistas do setor recomendam mudanças concretas na forma como o produtor planeja a lavoura. O diretor do Instituto de Ciências Agronômicas (Incia), professor Elmar Floss, destacou em entrevista ao programa Bom Dia Agronegócio que o momento reforça a necessidade de diversificação no campo, recomendando o uso de cultivares com diferentes ciclos produtivos como forma de diluir os riscos climáticos. Segundo ele, decisões baseadas apenas em safras passadas tendem a ser menos eficazes em um cenário de clima mais instável, já que os padrões históricos não se repetem com a mesma regularidade de antes. BrasilnoticiaNotícias Agrícolas
Entre as estratégias sugeridas está também a adoção de culturas de cobertura em áreas estratégicas da propriedade, prática que amplia a diversificação produtiva sem comprometer a janela do milho safrinha. Produtores de Mato Grosso, historicamente conhecidos pela capacidade de adaptação a diferentes cenários climáticos, já vinham ajustando o calendário de plantio em safras anteriores, e a expectativa é que esse movimento se intensifique daqui até o início do plantio da soja, previsto para o segundo semestre do ano.
A combinação entre clima mais instável e custos de produção em alta exige do produtor mato-grossense um planejamento mais detalhado do que em safras anteriores. Ainda que a projeção do Imea aponte queda na produção, o instituto reforça que o cenário pode mudar conforme a intensidade real do El Niño se confirme ao longo dos próximos meses. Para quem vive do campo, acompanhar os boletins semanais do instituto e ajustar o manejo com base em dados técnicos, e não apenas na experiência de safras passadas, tende a ser o principal diferencial para preservar a rentabilidade na temporada 2026/27.
Fontes consultadas: Notícias Agrícolas, Conexão MT